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Operação Black Monday

Operação Black Monday: “investidores devem procurar a polícia ou o Ministério Público para garantir futuros ressarcimentos”, ressalta advogado das vítimas 

Centenas de investidores foram vítimas de mais uma organização criminosa suspeita de pirâmide financeira, que foi desmascarada pelo Ministério Público de Pernambuco. A quadrilha captava das pessoas através dos sites Aprenda Investindo e Investing Brasil, com a promessa de realizar investimentos lucrativos. Nesta quinta (25) foi deflagrada a  Operação Black Monday nos estados de Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Bahia e Goiás. Além de uma série de mandados de buscas e apreensão e de prisão, foram encontrados carros de luxo, como Lamborghini e BMW. O prejuízo gerado pela quadrilha foi estimado em R$ 60 milhões. Até o momento, foram identificadas 1,5 mil pessoas vítimas do esquema.

O advogado Jorge Calazans, especialista em fraudes financeiras, que representa vítimas desta pirâmide, explica que o dinheiro dos investidores eram convertidos pela organização criminosa em bens de alto valor e criptomoedas, um tipo de dinheiro virtual. “A popularização desse mercado exponencial é uma excelente oportunidade para golpistas. Os criminosos criam supostos fundos, agências e clubes de investimentos e prometem ganhos espetaculares para quem decide aderir à velha pratica da pirâmide financeira. E no caso da Aprenda Investindo e Investing Brasil, assim como em outros golpes, as remunerações prometidas não foram pagas e os suspeitos desviaram o dinheiro para investimentos em bitcoins e para aquisição de veículos e imóveis em diversas capitais do país”, explica.

Segundo o advogado as vítimas desta fraude devem procurar a polícia ou o MP. “Com a mudança da lei, hoje o estelionato passou a se proceder mediante representação das vítimas, então é importante as mesmas procurarem a polícia, o MP  ou um advogado que formalize a representação para que possam ter assegurados futuros ressarcimentos”, afirma.

Calazans ressalta que pirâmides financeiras são proibidas no Brasil e configuram crime contra a economia popular (Lei 1.521/51). “Infelizmente, está se tornando muito comum este tipo de golpe, no qual os criminosos oferecem rendimentos acima do mercado. O investidor deve desconfiar de qualquer empresa que prometa investimento em bitcoin com “retorno garantido”.

O especialista frisa que as pirâmides financeiras costumam ter fases comuns que inicia com uma euforia quando o número de investidores está crescendo, e os mais antigos estão sacando, passando por um momento onde os investimentos se estabilizam e a empresa começa a atrasar os saques. “Uma terceira fase ocorre, quando não consegue pagar os resgates e cria justificativas, como problemas operacionais e até ataques de hackers ou desvios de recursos. Já numa quarta fase, vai enrolando os investidores, afirmando que os valores serão pagos, mas os problemas operacionais não permitem, e pede mais uma semana, um mês ou alguns dias, desembocando em uma fase final. É quando existe uma admissão de quebra e oferece um contrato de confissão de dívida para o investidor, dando a ilusão que ele terá uma garantia de que receberá. O investidor deve ficar atento e pesquisar a idoneidade antes de investir suas economias”, orienta Calazans.